| Jovens sob risco constante |
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| Escrito por Se Liga! |
| Sáb, 06 de Fevereiro de 2010 21:53 |
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Gazeta de Alagoas - por JOSÉ MEDEIROS* Não é à toa que as vozes populares têm tantos ditos sobre os jovens. Ali reside uma preciosa sabedoria secular sobre as fragilidades e potencialidades dessa faixa etária, que pode ser relembrada em uma sábia frase, repetida pelas mães: "Filho criado, trabalho dobrado". Porém, como se não bastasse a inquietude e irreverência da própria fase da vida, nossos jovens se deparam com dificuldades estruturais que dizem respeito às próprias políticas públicas que deveriam existir em sua defesa. Um minucioso estudo realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e lançado neste mês em forma de livro, sob o título "Juventude e políticas públicas", mostra que os resultados não são bons. Com uma população de 50 milhões de jovens, ou seja, com 26% de sua população na faixa de 15 a 29 anos, o Brasil ainda tem um conjunto de políticas públicas (emprego, educação, segurança pública, sexo e cultura) ineficientes. Talvez os dados que melhor representem isso sejam os de que 19% dos jovens estão fora da sala de aula, enquanto apenas 48% dos que estão entre 15 e 17 anos frequentam o ensino médio e, como consequência de tudo isso, apenas 13% dos que estão na faixa de 18 a 24 estão cursando nível superior. Quando isso já se apresenta como chocante, somos expostos a dados que mostram uma realidade ainda pior: entre a totalidade de mortes violentas no País, quase 68% são de jovens entre 15 e 24 anos. O diretor do Ipea chamou atenção para uma espécie de ciclo de risco em que os jovens estão submetidos, já que um comportamento de risco leva a outras situações de risco. Nisso estão incluídos o consumo de álcool, drogas, violência, iniciação sexual precoce, entre tantos outros fatores conhecidos. Escrevi, recentemente, uma crônica cujo tema era "Os jovens, o álcool e as madrugadas", com uma conclusão que salta à vista: a expectativa de uma vida mais longa entre jovens brasileiros está diminuindo a cada ano. Isso é fato. A questão é: o que está sendo feito para melhorar essa situação? Reconhecemos que algumas ações estão sendo realizadas, mas os números que acabamos de relatar apontam que estas não têm se mostrado capazes de resolver a questão. E nós não podemos deixar isso correr frouxo sem uma maior atenção, pois não podemos esquecer que todos estamos em risco, quando 50 milhões também estão. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde. Adicione o seu comentário |


